Proposta…
Um cenário inusitado que te permita uma viagem por um universo que não é estranho, mas infelizmente é desconhecido…
“Poderia ser qualquer imagem, poderia sair de suas entranhas porque o feminino está no avesso de todos nós. Não é a questão “ser mulher” que está em cena. Não, o que está em cena somos nós mesmos”…
Então a poesia entra em cena, ganha voz como se saísse das nossas reticências nada humanas. O cenário revela o desejo de gritar e silenciar ao mesmo. A atriz nos leva a uma reflexão íntima e sofrida de cada verso deixado ali, naquele cenário por um capricho…
E a poesia silencia na voz da atriz que é mulher, personagem, humana e diante do cansaço, senta no canto qualquer e te manda investigar a paisagem…
“O feminino é uma dança cheia de movimentos que nem sempre são compreendidos, mas que estão lá no meio a rua, no ponto de ônibus, no tumulto de uma esquina. Cabelos longos, curtos, salto alto, tênis rasgado, mochila nas costas, bolsa junto ao corpo. Tudo isso é movimento. Qual será o movimento que o feminino trás a sua mente nesse exato momento? Seria esse por acaso?”
E a dança preencheu o espaço deste cenário, numa tentativa de construção e desconstrução do feminino. Poucos minutos e já se conhece uma espécie de movimento. E novamente o silêncio…
“Mas o feminino também tem sons, ruídos. Choros, gritos, desconforto que soa como soluço pra dentro… São tantos barulhos que o silêncio fica constrangido porque há um barulho quieto, que não diz absolutamente nada e ainda te manda embora. Será que é impossível fazer silêncio quando o feminino visita a derme?”
Então vem a música na voz suave, revelando que o feminino está na música e sempre esteve… E por fim vem o silêncio e a atriz se veste de outra, foge, mas antes de sair provoca:
“Aposto que o feminino cria formas muitas na cabeça de todos, algo sensual, provocativo, ousado porque ser feminino é justamente isso: é ser muitas e não ser nenhuma, é ser outras tantas, mãe, pai, irmã, irmão, vizinha, meretriz, aluna, professora. É ser homem, bicho, animal… Qual feminino será você? Qual feminino serei eu"?”
E a peça ocupa espaço neste cenário inusitado para mostrar que o feminino tem várias faces, até mesmo aquelas que não esperamos…